O CEDRO VIVE

Por Eddy E. Jiménez*

Tradução de Lujan Miranda

No passado mês de dezembro foram presos na cidade de Chapecó, Estado de Santa Catarina, Brasil, oito líderes indígenas que historicamente têm lutado pela devolução de suas terras, ocupadas em função de interesses econômicos, políticos e em ocasiões até eleitorais.

Para o Conselho Indigenista Missionário, está em curso um novo capítulo da antiga e recorrente estratégia de criminalizar líderes de grupos e povos que lutam para conquistar e garantir o direito à dignidade, à justiça e à vida.

A um dos líderes indígenas presos, o cacique Idalino Fernandes, o conheci há cinco anos, quando visitei sua aldeia. Da conversa que tivemos então, nasceu esta crônica que até hoje se manteve inédita e que agora utilizo não só para denunciar o arbitrário e injusto arresto, senão também, para sensibilizar sobre a luta que hoje desenvolvem em prol de seus direitos os originários habitantes de Nossa América.

Por lá, pela aldeia de Chimbangue, pertencente ao grupo indígena dos Kaingang, me contou o cacique Kaxifá como a vida ainda brota, em que pese que o homem branco secou o cedro do Cacique Velho.

No sul do Brasil, pela bela e fria Santa Catarina que, em que pese haver sido colonizada por europeus, em suas entranhas não se assemelha à Europa, vive Kaxifá, ou Idalino Fernandes para poder ser reconhecido como pessoa na terra que foi de seus pais e avós.

Do portal de sua vivenda, quase idêntica às do resto do povo, pois seu cargo não oferece privilégios, apenas se podem distinguir as outras casas do assentamento, todas pobres e rústicas, porém de preciosas madeiras. Assim, à distância e em harmonia com a natureza, se inserem os Kaingang entre as árvores de ñmbi tbi (pitanga), fag (araucária) ou fó (cedro).

Um deles, o cedro seco que vi ao chegar ao lugar e que em vida deve ter sido uma robusta árvore, deu lugar a esta história que pode ser bem comum a todo o Continente.

Quando o Cacique Velho descansou para sempre, ninguém sabe em que ano do século XIX, no seu túmulo foi fixada uma cruz de madeira de cedro. Esse costume faz parte da cultura Kaingang; da cruz brota uma nova árvore que significa a continuidade da vida.

Para debilitar o espírito de luta do povo indígena os colonizadores fizeram vários ocos na raiz do cedro e lhe colocaram sal; tentavam fazer-lhes crer que a árvore morreria com a continuidade dessa cultura.

Não sabiam os bárbaros que se para eles a terra é poder e riqueza, para os indígenas seu valor consiste em fazer parte da cultura e da história.

Passaram-se os anos e o que ficou do povo Kaingang está ali na terra onde viveram seus antepassados, onde outros cedros brotaram sobre os túmulos.

Ao retirar-me de Chimbangue e despedir-me de Kaxifá senti que Nossa América, todos os que somos descendentes de indígenas temos dívidas pendentes com eles: primeiros e verdadeiros donos deste Continente.

Também pensei que entre tanta morte e desgraças os Kaingang não são os mais desafortunados, todavia alguns existem e lutam para não ser desarraigados; ainda que a “civilização” trate de exterminá-los, incluindo o refinado método de induzi-los a reproduzir um mundo que não é o deles.

Outras nações indígenas não puderam nem sequer deixar firme a história de sua passagem pelo planeta. Um exemplo disso foram os nativos de Cuba, a maior ilha do Caribe.

Já em território “civilizado”, resguardado do calor graças ao ar condicionado de uma biblioteca, bem longe do cheiro do frescor da floresta, encontrei algumas estatísticas que creio sempre devam ser escritas com tinta vermelha nos livros de história:

Na região do que é hoje a América Latina se estima que existiam, ao iniciar-se a colonização européia, uns 80 milhões de nativos, distribuídos em 3 mil nações; em 1992 a cifra era ao redor de 37 milhões.

Todos sentimos horror quando ouvimos falar dos campos de concentração, das bombas nucleares contra Hiroshima e Nagasaky, das guerras mundiais, no entanto, muitos lêem as passagens da conquista da América como novelas de aventuras e até dão graças ao conquistador, “por não andar ainda com taparrabos”.

Nenhum dos massacres do século passado pode comparar-se à história da conquista e colonização americana.

É que a história tem sido escrita pelos vencedores e devo confessar que quando leio as notícias que me chegam sobre a nova colonização planetária, temo que nós, os latino-americanos, sejamos os indígenas deste novo milênio.

500 de quê?

Por saudável hábito social, a maioria dos seres humanos tende a festejar quanto aniversário se preste para lançar as campainhas à fantasia, o que no âmbito popular significa tomar umas quantas cervejas a mais, bailar até que as batatas da perna tremam ou qualquer outra manifestação que transcenda o cotidiano.

As comemorações as incorpora o homem à sua cultura, e se alguém quiser festejar todas as contidas no calendário, sua intenção se veria interrompida por um coma alcoólico ou por esgotamento, nos casos dos que gostem desse tipo de bebida ou dos amantes do tonel; inclusive, até os que optarem por uma diversão mais sã ou sossegada veriam interrompidos os festejos quando a parca, por antiguidade, cortar os fios que os atam a esta pasantia sem retorno.

Ainda que não seja minha intenção jogar água na festa de ninguém, nem sequer aos que nas sociedades de consumo inventam estes pretextos para obter lucros, devemos reconhecer que há muitas comemorações impostas por e para bem de certas minorias.

Por exemplo, por aí houve governantes que festejaram os 500 anos da chegada dos europeus ao que são hoje seus países; entenda-se o início da conquista e colonização.

Recordo que em 1992, ainda um pouco esfregando minha cabeça, julguei como aceitável a idéia de que os americanos celebrássemos como um “encontro entre duas culturas” a chegada de Cristóvão Colombo e sua marinha a estas terras.

Tratava-se de uma “solução” salomônica (política), ainda que não muito realista, na qual os pro (indigenistas, americanistas, europeístas, primeiro mundistas e outros tipos istas), forçavam a um ponto em comum o significado da data, como forma de evitar lançar-se às vias de fato.

Tão oculto foi o final que, se nos ativermos irrestritamente a esse significado, só festejamos o encontro entre os europeus e os habitantes de Guanahaní, pequena ilha do arquipélago das Bahamas, chamada assim por seus aborígines.

Como naquele momento a aldeia não estava globalizada, o resto dos habitantes, três mil nações indígenas, que segundo os estudiosos povoavam este Continente, cada uma com sua cultura e sua língua, não puderam se inteirar do encontro entre essas duas culturas.

Tão pouco nessa época lhes foi possível conhecer o restante dos nativos do Continente, pois nesse mútuo descobrimento alguns deles haviam sido seqüestrados pelo intrépido navegante genovês, com o objetivo de servirem de intérpretes perante seus próprios companheiros e depois ser levados à Península Ibérica, como mostra de que haviam chegado à Índia.

Por certo, na literatura que consultei se narram com pelos e señas as aventuras e desventuras do “infeliz” Colombo, que foi traído pelos reis católicos e “morreu na pobreza”, porém somente me aparece uma informação acerca desses indígenas pirateados: “todos queriam ver os índios” (como se fossem raros animais).

Talvez algum dia, um erudito na matéria logre saciar minha humana curiosidade sobre a sorte corrida pelos que, até esses momentos, eram habitantes de Guanahaní.

Agora bem, o fato de que não fiquem dúvidas de que no 12 de outubro de 1492 não houve encontro, não é óbice para negar todos os posteriores desencontros.

Então, o que é que se festejou ou se quer ainda festejar? Digo isto porque cada dia aparece um novo aniversário.Há quem diga que o tema para a alegria é que nos tenham descoberto.

Outros alegam que o que se comemora é a chegada da “civilização”.

Os que têm sofrido, a maioria sem voz, pensam que se algo há a comemorar são os 500 anos de resistência.

Enfim, tudo é de acordo ao cristal , através do qual se quer mirar. Exploradores e explorados nunca poderão estar de acordo, o que me preocupa é que alguns destes últimos, que de puídos levitam, se sintam animados ao cortejo.

Se de algo vale: Perdão!

Enquanto os porta-vozes do primeiro mundo para a América Latina transmitem as idéias sobre temas a festejar e seus asseclas subdesenvolvidos preparam cenários, pelas estradas informativas circulou em março de 2000 a notícia de que o papa João Paulo II pediu perdão por alguns pecados cometidos por “zelosos praticantes da fé católica” durante os últimos milênios.

Assim, o já falecido estadista lamentou publicamente as evangelizações forçadas no Terceiro Mundo, pediu perdão a judeus, membros de outras etnias, povos maltratados e a todos os que, nestes dois mil anos, têm sido perseguidos por esses “zelosos”.

Como é lógico, associei a desculpa pelas evangelizações forçadas às conseqüências para nosso Continente da nada santa Inquisição, obra institucional importada dos colonizadores, e temi que a algum político latino-americano, desses que miram pelos olhos do primeiro mundo e são mais papistas que o Papa, se lhe ocorra dizer que não há nada que perdoar e propusera incluir-la nos festejos.

Oxalá, que assim não seja!

Não obstante, diz um velho refrão “antes tarde que nunca”; penso que algum dia outros poderosos terão que pedir perdão ao Terceiro Mundo, já não só pela cruz (mal usada), a fogueira e a espada, senão, também, pelo fuzil, o átomo, os vírus, as baterias…

Porém, voltando ao tema das celebrações, me afilio aos que crêem que os 500 anos de resistência merecem ser festejados de muitas formas e nenhuma delas, por certo, inclina a fazê-lo em torno a uma mesa repleta de latas de cerveja; assim se pudera contribuir ao esquecimento, nunca à rebeldia.

Gostaria que um ano depois das celebrações pelo encontro das culturas se houvesse festejado, também, o momento em que, indignados pelos abusos sexuais de que eram vítimas suas mulheres, os nativos da ilha de La Española, ocupada hoje pelo Haiti e República Dominicana, destruíram o forte de Navidad e fizeram justiça a seus ocupantes.

Foi este o primeiro broto de resistência contra o colonizador.

Hoje, a historiografia dos vencedores delineia como seus mártires primogênitos na colonização a Diego de Arana e ao redor de quarenta homens que Cristóvão Colombo deixara no primeiro enclave colonial europeu em nosso Continente, antes de retornar à Espanha.

No lugar onde se supõe esteve encravado o forte Navidad deveria erigir-se um monumento que recorde aquele ato, em que os dignos e justos acertaram contas ao estupro e luxúria colonialistas; talvez assim os genocidas e violadores desta época reflitam mais sobre qual pode ser uma das possíveis variantes, se persistem em seu labor colonizador.

Aos que por ignorância ou espírito dócil se regozijem de que fomos descobertos há que lhes explicar que se descobre o desconhecido; eram eles, os europeus daquelas épocas, os que não nos conheciam; são eles os que têm que dar graças por haver nos conhecido. Ao final de contas, graças a nós se fizeram e seguem se fazendo ricos.

Têm sido encontrados na América do Sul restos da presença humana que remontam há mais de 48 mil anos, nossos aborígines se conheciam entre si, estas terras tinham dono, a colonização não foi mais que um processo de apropriação ilegal.

Os que se sentem aliviados porque graças ao colonizador usam calçõezinhos ou calças compridas e não taparrabos devem conhecer que conceitos, tais como “civilização”, “liberdade” “progresso” e “direitos humanos”, entre outros, sempre têm sido disputados pelas classes dominantes, que ao julgar-se donas da cultura e da lei, determinam quem são ou não os civilizados.

Todos devemos recordar que em nome da civilização e da superioridade racial, milhões de seres humanos têm sido exterminados ou condenados à degradação durante os últimos 500 anos do milênio que se foi, tanto no Velho Mundo como neste lado do planeta ao qual os europeus deram o nome de América.

Ocre e preto: cores da alegria

Quinhentos anos depois do início da conquista estou convencido de que, sob novas formas e com colonizadores que vestem outras roupagens, esta não só continua, senão, também, que nos a apresentam como um fenômeno interminável, perante o qual nada podemos fazer, salvo nos resignarmos.

Sempre me deixa infestado de dúvidas a história relatada pelos opressores, e nesses primeiros anos de colonização eles eram os únicos que podiam deixar escrita sua versão.

Junto à colonização se iniciou o extermínio dos indígenas que não estavam aptos para suportar os rigores dos desumanos trabalhos a que eram submetidos.

Ficava claro para os colonialistas que a massa humana encontrada na América não estava em condições de garantir-lhes o aumento do fluxo de riquezas até a metrópole e apelaram para a escravidão africana já conhecida em Portugal e Espanha, para substituir a mão de obra.

Por desconhecimento há quem culpe ao frei Bartolomeu de las Casas pelo início da escravidão africana na América. Como qualquer outro portador, Las Casas tinha sob seus cuidados indígenas que trabalhavam para enriquecer aos poderosos, porém a favor dele a história registra que se sentiu comovido ante tanta desgraça, renunciou à encomenda que lhe haviam entregado e dedicou o resto de seus dias a advogar ante as autoridades espanholas em prol de que os nativos fossem tratados humanamente e aliviaram suas penúrias com a introdução de escravos africanos.

Dizem que de boas intenções está pavimentado o caminho do inferno; ainda que a escravidão africana já existisse no “Novo” Mundo – se não fosse assim de todas as formas teria sido introduzida – Las Casas dotou os escravistas de argumentos aparentemente humanos para iniciar em grande escala o tráfico negreiro.

Ainda assim crendo na boa fé do Protetor dos Índios, título que foi outorgado a Las Casas, na Espanha, o certo é que o extermínio indígena continuou em todo o Continente e os exploradores aceitaram de muito boa vontade sua recomendação. Ao genocídio contra os indígenas veio a somar-se a ignomínia da escravidão africana.

Talvez tivesse que ir pensando em agregar ao título outorgado a Las Casas: Protetor dos Índios e Inimigo dos Negros.

Ninguém nunca poderá calcular as dezenas de milhares de africanos que antes de chegar à América morreram nas travessias, como tão pouco os milhões que deixaram suas vidas nas plantações sob os golpes de chicote ou em seu afã por recobrar a liberdade em que eles ou seus antepassados nasceram.

Resulta lógico que os europeus se sintam animados quando celebram exageradamente as conquistas. O ouro, a prata, as madeiras preciosas… que adornam hoje castelos e museus do Velho Continente em boa medida lhes chegaram da América e foram extraídas por mãos indígenas e negras.

Esses braços foram os que proporcionaram ao explorador a acumulação originária para dar o golpe de morte à sociedade feudal e empreender o caminho do capitalismo; esses foram os braços que fizeram rico ao Primeiro Mundo.

O ocre e o preto devem ser as cores que na Europa e América do Norte se usem como sinal de alegria; graças a eles nasceram as elites de poder desses países e graças a eles seus povos (ainda que não sejam os culpáveis e a maioria nem sequer o imaginem) podem orgulhar-se de serem “prósperos” e “civilizados”.

Para os que pensam que a colonização e a conquista são temas históricos e ao ler estas crônicas se sintam transportados no tempo lhes argumento que estão equivocados, elas ainda continuam do mesmo modo que a luta contra os colonizadores.

São exemplos dessa guerra a batalha dos zapatistas pela sobrevivência dos povos de Chiapas, o combate contra o processo de dolarização, com o conseqüente empobrecimento, que indígenas e humildes em geral levam a cabo no Equador há anos e a luta dos bolivianos em prol da recuperação de seus recursos naturais.

Porém, neste caso me nego à humildade: por que não colocarmos como exemplo? A heróica luta que há quarenta e cinco anos levamos os cubanos para impedir que voltemos a ser colonizados faz parte desses 500 anos de resistência.

Encharcada em sangue indígena

Nessa grande colcha de retalhos que é a América, o sangue africano veio a somar-se ao indígena e juntos iniciaram a obra a que se somou o imigrante europeu que não pode enriquecer-se e terminou, também, sendo colonizado.

A grande contradição da história da humanidade, a existente entre exploradores e explorados, é a mesma que se deu e se dá hoje em Nossa América, por isso os americanos pobres lutaram pela independência no século passado e ainda que nem todos os processos independentistas tenham sido dirigidos pelas elites crioulas, estas lograram capitalizar os resultados da vitória.

Ao concluir esse longo processo iniciado a princípios do século XIX, na Venezuela, pelo culto e de gestos europeus Francisco de Miranda, o Precursor, o qual culmina em 1898 com o fim da Guerra de Independência de Cuba, cujos principais líderes foram heróis populares e nada tiveram que ver com as elites crioulas, os verdadeiramente beneficiados foram em todos os casos as camadas oligárquicas nacionais.

Muito certo esteve José Marti quando em 1893, já a ponto de encerrar-se o ciclo histórico da primeira independência da América, assegurava: “… o que ele não deixou feito, sem fazer está até hoje: porque Bolívar tem que fazer na América ainda!”

Por desgraça essa sentença, válida para o século XIX, se mantém vigente no XXI.

A justiça a que se podia aspirar dentro do regime social predominante naquela época e a que tinha direito o povo latino-americano depois das lutas por sua liberdade, ficou definida só na forma de enunciados nas constituições.

Os oligarcas queriam emancipar-se das metrópoles, para romper com os laços que freiavam seu desenvolvimento econômico e buscar novos aliados que garantisse seus interesses, porém não Revolução, que significa justiça e verdadeira soberania. Assim, na América Latina se iniciou uma nova fase da conquista: a neocolônia.

Encharcada em sangue indígena, molhada no suor do negro e com as mãos cheias do roubado ao vizinho já havia surgido um novo poder hegemônico no mundo, simbolizado pela Estátua da Liberdade.

Como bem definiu Lênin, a Guerra Hispano-Cubana-Norteamericana foi o primeiro conflito imperialista da história e veio a mostrar às mais poderosas nações da Europa os limites de seu poder e o caminho a seguir para manter sua situação como potencias neocoloniais.

A nova metrópole deslocou as velhas competidoras do que julgou como sua área natural de influência, todo o continente americano, e as instruiu na nova era da conquista.

Deviam compreender as velhas potências que América era para os americanos (na realidade norte-americanos, porque até o nome nos roubaram); que resultava mais conveniente incorporar estrelas a uma bandeira que fundar colônias; que salvo algumas estratégicas posições isoladas era e segue sendo economicamente mais rentável governar o planeta através de bem pagos administradores nacionais; que o comércio (intercâmbio desigual), o sistema financeiro (empréstimos leoninos), os investimentos (compras bem baratas daquilo que vale milhões) assegura mais o poder que a espada, o chicote e o arcabuz…

Não há melhor berço que o do mesmo pau, reza um velho refrão que os oligarcas crioulos lhe têm estado há altura. Estes cidadãos do primeiro mundo, por aceitação, têm demonstrado ser tão úteis e eficientes que, em maior ordem e apego às leis, as potências neocoloniais podem extrair atualmente do Terceiro Mundo, em um só ano, mais riquezas que em um século de colonialismo.

Nesta etapa da conquista os riscos são mínimos; até o momento a tática tem consistido em alternar de acordo à conveniência as ditaduras com os regimes “democráticos”, em ocasiões mais assassinos e entreguistas que os intitulados tirânicos.

Se sobrevém alguma explosão social o tirano é geralmente bem acolhido no Primeiro Mundo e em seu lugar virá a “democracia” burguesa a revitalizar a ilusão nos humildes.

Entretanto, quando os povos se negam a esquecer, para tranqüilizar a opinião pública, fazem ver aos que eles batizaram como índios que em seus países não há justiça porque não imitam bem ao primeiro mundo e assentam um precedente nefasto que possa ser utilizado no futuro contra progressistas, revolucionários ou simplesmente frente aos que incomodem o governo mundial, pode ser que um mago do norte faça aparecer a um Baltasar, muito efetivo em perseguir a pequenos levantes ibéricos em luta contra a injustiça, que tente infrutíferamente julgar, em sua ruína, bodes expiatórios latino-americanos, agora embelezados com seus elegantes trajes civis. De todas as formas, a justiça valerá somente como substantivo.

Não obstante, os ricos do norte esquecem que o cedro ainda vive e que não só esgotam as riquezas do Sul, senão, também, os meios para explorá-las.

Não por gosto, os originários donos da América saem do sonho e demonstram suas forças.

Eddy E. Jiménez: Escritor, periodista, profesor de la Universidad de La Habana.

Últimos libros publicados La Revolución de los Camaleones” y “Hablar de Cuba. Hablar del Che, conversaciones con Leonardo Boff y Frei Betto . Editorial Quimantú (Chile)

O CASO DOS CINCO

Moncho Leal

O goberno cubano informou de sempre ao seu homólogo estadounidense das accións que grupos terroristas radicados en Miami levaron adiante contra Cuba.

En xuño de 1998, despois duns atentados con bombas contra os intereses e a cidadanía cubanos, unha delegación do FBI viaxou á illa caribeña, recibindo unha ampla documentación sobre as actuacións destes grupúsculos fascistas. A resposta de Washington foi rotunda: cinco cubanos foron arrestados o 12 de setembro do mesmo ano, acusados de pertencer a unha rede de espionaxe, mentras que os terroristas seguen en liberdade no sur de Florida. Os cinco compañeiros son: Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González e René González.

Durante 17 meses estiveron en celas de illamento, contra do que di a lei, que establece un máximo de sesenta días.
O enxuizamento penal incumpriu a Constitución norteamericana, que estipula que os acusados teñen dereito a un xuizo regular e a un xurado imparcial, dúas condicións que non se daban en Miami, polo seu ambiente de aversión antirrevolucionario e a campaña de prensa contra os cinco, que os sentenciaba antes de xuizo.

Deste xeito, os veredictos de culpabilidade emitidos en xuño de 2001, que os consideraba culpabeis, e de decembro do mesmo ano, no que se dictaban sentencias, resultaron demoledores.

Gerardo foi condenado a dúas cadeas perpetuas, máis quince anos de privación de liberdade. Ramón a cadea perpetua, máis 18 anos. Antonio a cadea perpetua, máis dez anos. Fernando a 19 anos. René a 15. As acusacións van de conspiración contra Estados Unidos, común nos cinco, ata asasinato en primeiro grao, espionaxe, identidade falsa e non rexistrarse coma axente estranxeiro. Foi un xuizo claramente político.

Non hai que esquecer o contexto que vive Cuba, que durante catro décadas viuse sometida a todo tipo de atentados contra a súa poboación, os cultivos, a súa economía e, en definitiva, contra da súa soberanía. Os cinco infiltráronse en organizacións contrarrevolucionarias, informando ao goberno cubano dos plans criminais que preparaban eses grupos dende territorio estadounidense. En ningún momento interesou conspirar contra a seguridade dos EE.UU..

Os cinco compañeiros están encadeados nas condicións máis duras, sen contacto entre eles e con moitas dificultades para recibir visitas.

Ao longo de 47 anos foron innumerabeis as agresións terroristas que ten sufrido Cuba, provocando a morte a máis de 3.000 persoas e ferindo a máis de 2.700. Boa parte desas agresións foron preparadas dende Miami. Cuba nunca invadíu un país, nunca ten producido conflito de ningún tipo contra outros pobos, pero Cuba ten o dereito a se defender. A única misión dos cinco era penetrar nos grupos da mafia anticubana que operan con total impunidade en Miami, para desvelar os plans terroristas en contra do pobo cubano. Ningún deles tiña antecedentes penais, nunca foron acusados de violar a lei ou transgredir norma ou regulación algunha, non posuían armas nin tiñan estado involucrados xamáis en actos de violencia ou disturbios de ningún tipo, non obstante, se lles negou a posibilidade de se acoller á liberdade condicional baixo fianza.

Os membros do xurado residían en Miami, sometidos a unha constante presión, ningún se atrevía a ser imparcial, o seu veredicto coñecíase de antemán. Ningún cargo contra os cinco foi probado, agás o feito de non se rexistrar como axentes estranxeiros. Podemos pensar que tería sido deles se aqueles a quen vixiaban souberan a súa verdadeira identidade. Ante a falla de probas se lles acusou de “conspiración para cometer espionaxe”, as súas desproporcionadas condenas respondían a unha manobra na que participaban recoñecidos terroristas como Orlando Bosch e Posada Carriles, acusados de numerosos crimes, entre eles o de planear e ordenar á voadura dunha nave de Cubana de Aviación con 73 pasaxeiros en 1976. Orlando Bosch e Freddy Lugo, cómplices de Posada Carriles, chegaron a manifestar na prensa: Puxemos a bomba, e que? O 22 de agosto de 2001 “The Miami Herald” publicou un anuncio de páxina completa no que unha organización chamada “Foro Patriótico Cubano” establece entre os seus principios o recoñecemento e apoio ao uso de calquera método na loita contra Cuba. Un dos asinantes é Orlando Bosch.

O 6 de decembro de 2005, José Basulto, xefe da organización contrarrevolucionaria “Hermanos al rescate”, nun programa de TV en Miami afirmaba que as actividades terroristas contra Cuba sempre tiñan gozado da tolerancia do FBI. El mesmo presumíu de ter disparado cun canón de 22 mm. dende unha lancha rápida contra un hotel da Habana sen que o FBI lle fixera a menor pregunta.

Ás desproporcionadas sentencias dos cinco hai que lles engadir o castigo duplo a Gerardo e René, xa que se lles prohibe que vexan as súas compañeiras. Hai máis de seis anos que lles negan a elas a entrada en EE.UU., violando as normas esenciais norteamericanas como o Dereito Internacional Público. Gerardo, René, Fernando, Ramón e Antonio levan máis de sete anos en prisión. O goberno estadounidense ignorou a decisión do grupo de traballo sobre detencións arbitrarias da ONU; tamén ignorou o veredicto da Corte de apelacións do Circuito de Atlanta que o pasado 9 de agosto anulou o proceso contra os cinco e revocou as súas condenas. Eses cinco compañeiros hoxe están secuestrados, xa que non hai cargos contra deles. Non se lles xulgou por ter violado as leis estadounidenses, senón porque co seu traballo ao infiltrarse nas redes criminais que existen abertamente na Florida revelan a hipocresía da loita contra o terrorismo e a dobre moral do goberno do presidente Bush que bombardea e invade pobos no nome da loita antiterrorista e acolle con beneplácito na súa propia casa a terroristas confesos.

Traballadores/as, intelectuais, artistas, escritores/as, foros sociais, organizacións de solidariedade teñen denunciado o trato que sofren os cinco, as irregularidades do proceso e a violación das propias leis norteamericanas neste caso.

Os cinco son víctimas dunha política de demagoxia, engano e terxiversación da administración Bush no referente á loita contra do terrorismo. Eses cinco compañeiros, verdadeiros loitadores antiterroristas son reos da irracionalidade do goberno de EE.UU..

Ante este crime instamos a todas as persoas, grupos e organizacións que crean na amizade dos pobos e no dereito á libre determinación das nacións a multiplicar os esforzos para lograr a liberdade dos cinco compañeiros.

EMIGRACIÓN E HIPOCRESÍA

Estados Unidos utilizou a emigración como un arma contra a revolución cubana. Inmediatamente despois do triunfo revolucionario de 1959 Washington recibiu á maioría dos personaxes da ditadura de Fulgencio Batista, incluíndo ao redor de 3000 criminais de guerra. Eles pasaron a ser a canteira principal das actividades terroristas contra a illa, que continuaron realizando con total impunidade ata a data desde o seu cuartel xeral en Miami.

Despois, como parte da súa política de asfixia económica, Estados Unidos estimulou a saída dos médicos e outros profesionais e técnicos cubanos para privar ao proxecto liberador desa forza cualificada.

En 1961 organizou a Operación Peter Pan con o embuste de que a revolución privaría aos pais da patria potestade e separou a miles de nenos de clase media das súas familias, en moitos casos durante anos.

Angel Guerra Cabrera
ALAI, América Latina en Movemento

Os deputados cubano-estadunidenses por Florida pediron a Washington unha reunión para demandar modificacións ao Acordo Migratorio con Cuba e anuncian que foi aceptada. A administración de Bush sempre termina compracendo á contrarrevolución. Logo de todo, o seu primeiro mandato debeuse ó fraude electoral orquestado polos seus integrantes naquel estado. Os lexisladores aproveitaron a conxuntura da devolución á illa de 15 cubanos depositados por contrabandistas nun anaco da vella ponte das sete millas separado de terra firme e con os seus cómplices montaron outra campaña propagandística nos medios miamenses no seu persistente intento de rebentar o Acordo Migratorio adoptado durante o goberno de Clinton. Acordo que foi un avance aínda que se vulnera con frecuencia por Washington. Só un exemplo: a invariable admisión en territorio estadunidense de tódolos que se apoderan pola forza de naves cubanas, ata cando correu sangue dos seus tripulantes. A contrarrevolución alenta estas accións con o propósito de crear unha crise migratoria que desemboque nunha agresión a Cuba.

Bush levanta muros na fronteira, caza a tiros a quen intentan cruzala e a Cámara de Representantes criminaliza aos emigrantes ilegais. Unha conduta profundamente hipócrita, xa que os emigrantes son indispensables para o funcionamento da economía e o “modo de vida americano”. A hipocresía é aínda maior cando se trata de Cuba. Estados Unidos utilizou a emigración como un arma contra a revolución cubana. Inmediatamente despois do triunfo revolucionario de 1959 Washington recibiu á maioría dos personaxes da ditadura de Fulgencio Batista, incluíndo ao redor de 3000 criminais de guerra. Eles pasaron a ser a canteira principal das actividades terroristas contra a illa, que continuaron realizando con total impunidade ata a data desde o seu cuartel xeral en Miami. Despois, como parte da súa política de asfixia económica, Estados Unidos estimulou a saída dos médicos e outros profesionais e técnicos cubanos para privar ao proxecto liberador desa forza cualificada. En 1961 organizou a Operación Peter Pan con o embuste de que a revolución privaría aos pais da patria potestade e separou a miles de nenos de clase media das súas familias, en moitos casos durante anos.

Cabo recordar que en 1963 Washington suprimira os voos coa illa, pero simultáneamente proclamaba que todo cubano que chegase ao seu territorio sería recibido como refuxiado político. Este é o antecedente da Lei de Axuste Cubano de 1966, que outorga un trato de singular privilexio entre todas as nacionalidades aos cubanos que chegan a Estados Unidos ilegalmente: permiso de traballo automático, prestacións sociais que non recibe ningún outro grupo, dereito á residencia logo dun ano de estancia, créditos para a creación de pequenas e medianas empresas. Washington fomentou a emigración ilegal con claros fins desestabilizadores cara ao interior de Cuba e á vez acuña o estereotipo dun país de onde a xente “fuxe”. Así, segundo os mesmos medios que difunden este estereotipo, ninguén “fuxe” do inferno en que o neoliberalismo sumiu a millóns no terceiro mundo. Ese acto queda reservado aos cubanos, sen que se mencione a guerra económica de case medio século, nin a desvergonzada conduta de Washington de negar visados ata que se asinou o Acordo Migratorio actual, nin as miles de horas semanais de transmisión de radio ilegal contra a illa. Tampouco o alto nivel técnico e científico de miles de emigrantes que en Cuba nunca percibirán unha remuneración como a que unicamente pode proporcionar o sistema que vive de exprimir os recursos do mundo.

Esta política é máis criminal porque se leva a cabo a expensas dos sentimentos de decenas de miles de familias en Estados Unidos, a quen para reunificarse con os seus seres queridos na illa non lles queda máis alternativa que apelar aos custosos servizos de inescrupulosos contrabandistas. O goberno de Cuba avoga por unha relación cordial con a comunidade emigrada, ten entablado un diálogo cos seus representantes e defendido o concepto dunha emigración legal e ordenada. Pero iso non lle convén a Estados Unidos, cuxa conduta segue sendo a causante da morte de moitos cubanos no intento de cruzar ilegalmente o Estreito da Florida.

Fonte

CUBA OFRECE ATENCIÓN OFTALMOLÓXICA A 150.000 NORTEAMERICANOS

O presidente cubano, Fidel Castro, ofreceu operar gratuitamente na illa a 150.000 norteamericanos que padezan problemas de visión, como unha extensión da chamada “Operación Milagro”.

O mandatario fixo a proposta durante unha comparecencia na televisión local , na que criticou as sancións que Washington aplica a quen viaxan a Cuba, entre eles os “Pastores por la Paz”.

Estamos dispostos a enviar un avión a Florida para recollelos, hospedalos e atendelos gratuitamente,como xa fixemos con 176.000 latinoamericanos , engadiu.

Fidel Castro preguntouse se Estados Unidos autorizaría a estas persoas pobres a viaxar a La Habana para curarse sen custo algún ou lles imporía miles de dólares de multas como está facendo con aqueles que queren viaxar a Cuba .

Ofrecemos este servicio ós humildes e o goberno estadounidense debe decir se acepta esta proposta ou prefire que esos enfermos queden cegos, puntualizou.

MÁIS DE 200.000 MEXICANOS ALFABETIZADOS COA AXUDA DE CUBA

Existen cuestións que non se poden explicar baixo a óptica capitalista. Hai accións realizadas de acordo a determinados principios, que non contemplan ningunha satisfacción económica. Nun mundo no que a cada cousa ténselle asignado un prezo e incluso criminalízase calquera iniciativa que pretenda saltarse as leis do mercado, estas accións solidarias realizadas polo ben común non só son infrecuentes, tamén son perigosas.

Para os amos dos recursos e do coñecemento, o perigo é o exemplo-o mal exemplo-que supón a existencia de persoas, organizacións ou gobernos que cuestionan co seu traballo o modelo económico capitalista. Na súa lóxica, a educación e a cultura son só parcelas máis onde é posible investir e sacar abultados beneficios. Unha maneira perversa de marxinar ainda máis a quen non teñen recursos económicos.

Sen embargo, quen consideran que non hai igualdade social posible sen igualdade de cultura, poñen o seu empeño en concretar esa fermosa frase mediante un programa levado á práctica. E así, en México traballan máis de 100 educadores culturais cubanos
Co obxetivo de conquerir que deceas de miles de persoas poidan chegar a ler e escribir.

Durante o ano pasado (2005) uns 200. 000 mexicanos foron alfabetizados e máis de 130. 000 estudantes de educación primaria e secundaria beneficiáronse dos programas de alfabetización “yo si puedo” (Alfa-TV ), para “ el Mejoramiento de la Calidad Educativa de la Enseñanza Básica” (MECE) e na atención ós nenos de ata seis anos, polas vías non formais

Ámbolos dous programas contan con algúns anos de experiencia en México implantándose nas zonas onde se observaron as maiores deficiencias en materia educativa. En concreto, o programa de alfabetización “yo si puedo”, concebido en Cuba e adaptado completamente as condicións de México, aplicouse o pasado ano nos estados de Michoacán, Oaxaca, Veracruz, Nayart, Tabasco e na Delegación Gustavo A. Madero do Distrito Federal, cuns resultados moi positivos.

Este orixinal sistema –eloxiado pola Unesco- estase levado a cabo nunha decena de países e consiste en 65 video-clases (unha especie de serial televisivo), unha cartilla e un manual para os chamados facilitadores, encargados de conducir o programa cos analfabetos . Os educadores cubanos teñen como misións a formación destes facilitadores e a asistencia no desenvolvemento do Programa, que está calculado para ser levado a cabo en sete semanas en condicións óptimas.

O desenvolvemento desta cooperación foi posible gracias ós acordos directos suscritos entre o goberno cubano e algúns dos estados mexicanos, coa participación de concellos, institucións, asociacións civís e partidos políticos. A sinatura, por exemplo, do convenio co goberno de Oaxaca permitiu no 2005 que máis de 150. 000 habitantes de 270 comunidades rurais abandoaran o analfabetismo e espérase que no 2007 esa asistencia chegue a máis de 400. 000 oaxaqueños.

Os resultados obtidos son máis que notables, e así foi recoñecido pola Unesco e polas autoridades educativas e políticas mexicanas. Segundo Pedro Pino, responsable cubano para a supervisión destos plans de colaboración pedagóxica, o modelo cubano” é máis económico, dá maiores resultados, é un método que propicia unha participación máis directa de educadores e educandos e establece un riguroso control da docencia”.

Cando algún día sexa escrita a enciclopedia mundial da infamia, terá que ser lembrado o silencio ó que os medios de propaganda capitalista someten estas e outras iniciativas semellantes, e a ignominiosa terxiversación da realidade para presentar os médicos e educadores cubanos no extranxeiro como espías infiltrados, adoutrinadores de incautos.

Fonte: Rebelión.

Asociación de Amizade Galego-Cubana “Francisco Villamil"

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