“Quem paga 38% do gasto militar global, é incapaz de responder de 11 milhões de contagiados e mais de 238 mil falecidos por Covid-19” (Presidente de Cuba na Assembleia da ONU)

AGENCIAS – TERRA SEN AMOS

“É um fato triste, mas incontestável, que a pandemia exacerbou os graves problemas e colossais desafios que a humanidade já enfrentava antes do seu surgimento” –disse Miguel Diaz Canel na 31 Assembleia Geral das Nações Unidas convocada para tratar da  Covid-19. O presidente de Cuba argüiu que cando falamos de guerras (incluídas as não convencionais ou o uso, e ameaça de uso, da força; da aplicação de medidas coercitivas unilaterais) é preciso referirmo-nos também a ausência ou precariedade de serviços de saúde, educação e seguridade social, marginado polas regras cegas do mercado e o intercâmbio desigual que prevalecem no mundo.

O Instituto Internacional de Estocolmo de Investigações para a Paz (SIPRI) informa que os EUA representam 38% do gasto militar global.

O orador chamou atenção da recessão económica,  a pior desde a Segunda Guerra Mundial, e nomeadamente perniciosa para os países do Sul, já maltratados pelo abuso neoliberal, que aprofundou os estragos da pobreza. A dívida externa dos países em desenvolvimento, várias vezes paga e aumentada pela pandemia, corta a rente as aspirações de bem-estar económico e social; é impagável e deve ser perdoada. Urge, por tanto, o estabelecimento de uma ordem internacional justa, democrática e equitativa. É uma condição para a sobrevivência da espécie, em um mundo cada vez mais interconectado e paradoxalmente desigual. Acrecentou que a Covid-19 desnudou o custo humano dessa desigualdade e revelou a urgente necessidade de fortalecer os sistemas nacionais de saúde, propiciar o acesso universal e gratuito aos serviços médicos básicos e garantir a distribuição equitativa de recursos vitais. 

Uma pergunta surge de parte do presidente de Cuba, ao observar o duro panorama de contágios, repiques e colapsos nos serviços de saúde, em nações de invejável prosperidade. Por que o enorme orçamento que hoje se dilapida na corrida das armas não é empregado para enfrentar esta e outras pandemias mais antigas, como a da fome e da pobreza? Quem paga 38% do gasto militar global, é incapaz de responder de 11 milhões de contagiados e mais de 238 mil falecidos por Covid-19?”

Desde o aparecimento do SARS-CoV-2, e ante a ameaça de que se convertesse em pandemia, Cuba elaborou um Plano Nacional para a Prevenção e Controle da Enfermidade. Desenvolveu-se apoiado nas fortalezas do nosso sistema de saúde, de comprovada qualidade e alcance universal, e no desenvolvimento científico do país. O sistema de gestão do Governo de Cuba, tem a sua base em Ciência e Inovação, que fertilizou as interconexões dos sectores científico, produtivo, dos serviços e social. Trata-se de um sistema inclusivo, participativo, sistémico, trandisciplinar e intersectorial, que cristaliza e atinge o seu melhor resultado na firmeza dos protocolos aplicados contra à Covid-19 e na responsabilidade demonstrada pelo nosso povo. “O que fazemos –resumiu- é uma expressão prática de como opera o sistema social de Cuba, que centra acção do Governo nas persoas e pode resolver ou enfrentar com sucesso problemas muito complexos. Os relevantes resultados alcançados na indústria médico-farmacêutica e de biotecnologia permitem-nos enfrentar a enfermidade em melhores condições. Dois candidatos vacinais cubanos em fase de ensaios clínicos estão incluídos entre os 47 registados pela Organização Mundial da Saúde”.

Consecuentes com a vocação humanista de Cuba, 53 brigadas médicas  apoiaram o combate à enfermidade em 39 países e territórios, somando-se às que já prestavam serviço em 59 nações. Diez Canel acrecentou que este labor foi possível sob o pesado fardo do criminal e injusto bloqueio imposto pelo governo dos Estados Unidos, e do recrudescimento sem precedentes de uma cínica campanha de descrédito contra a cooperação médica internacional de Cuba e outras nações soberanas com a  manifesta intenção de restabelecer a Doutrina Monroe, quebrantando o Direito Internacional e a Proclamação da América Latina e das Caraíbas como Zona de Paz. 

O presidente reafirmou o compromisso de Cuba com os propósitos e princípios que alumbraram a ONU, assi como a vontade de continuar trabalhando a favor do multilateralismo, da solidariedade, da dignidade humana e da justiça social é firme e decidida. “A emergência planetária em que a Covid-19 nos lançou –disse em final da súa intervenção- é como um novo chamado à consciência do mundo: escutemos, desta vez. Sim, é possível. Cuba é a prova”.

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