Raúl Castro: “Normalizar não implica abrir mão da causa da independência”

Prensa Latina – Terra Sen Amos
O presidente cubano Raúl Castro afirmou sexta que as medidas adotadas até agora por seu homólogo estadounidense, Barack Obama, são positivas, mas de alcance limitado, e requeriu da presidéncia de EUA usar suas prerrogativas em benefício do processo de normalização de vínculos bilaterais. “Ninguém deve pretender que Cuba, para normalizar as relações com os Estados Unidos tenha que abrir mão da causa da independência pela qual nosso povo, desde 1868, fez grandes sacrifícios; nem esqueça que, depois de muitas frustrações e 60 anos de total dependência, esta foi atingida finalmente, em 1º de janeiro de 1959, com a vitória do Exército Rebelde, sob o comando do comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz”.

"Durante este ano não se avançou na solução dos temas que para Cuba são essenciais para que tenha relações normais com EUA" declarou Raúl,
“Durante este ano não se avançou na solução dos temas que para Cuba são essenciais para que tenha relações normais com EUA”,  declarou Raúl.

Raúl Castro manifestou que ainda que se observem avanços no processo de normalização de nexos iniciado em 17 de dezembro de 2014, durante este ano não se avançou na solução dos temas que para Cuba são essenciais para que tenha relações normais com os Estados Unidos. As medidas adotadas até o momento pelo presidente Obama, ainda que positivas, têm demonstrado ter um alcance limitado. Recordou Raúl que Obama, no uso de suas atribuições executivas, pode ampliar o alcance das medidas já tomadas e adotar outras novas, que modifiquem substancialmente a aplicação do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais de meio século.  O chefe de Estado cubano recordou que ainda que Obama tenha reiterado sua oposição ao bloqueio e chamado o Congresso de seu país para que o suspenda, esta política segue em vigor.

A esse respeito, denunciou que se mantêm a perseguição financeira às transações legítimas de Cuba e os efeitos extraterritoriais do bloqueio, o que provoca danos e privações ao povo e é o obstáculo principal para o desenvolvimento da economia cubana. Apesar do reiterado reclame de Cuba de que lhe devolva o território ilegalmente ocupado pela base naval em Guantánamo, o Governo dos Estados Unidos tem manifestado que não tem a intenção de mudar o status deste enclave.

Recordou também que o Governo norte-americano mantém programas que são lesivos à soberania cubana, como os projetos dirigidos a promover mudanças na ordem política, econômica e social da ilha, e as transmissões radiais e televisivas ilegais, para cuja implementação continuam se outorgando fundos milionários. Estados Uniidos continúa a aplicar uma política migratória preferencial aos cidadãos cubanos, expressada na vigência da política de “pés secos-pés molhados”, o programa de parole para profissionais médicos e a Lei de Ajuste Cubano. Tudo isso estimula uma emigração ilegal, insegura, desordenada e irregular, promove o tráfico de pessoas e outros delitos conexos, e gera problemas a outros países, acrescentou o dignatário.

O governo dos EUA considera que a normalização é “um processo complexo e em longo prazo” e vai continuar “trabalhando com Cuba para tratar de áreas de interesse mútuo, mesmo quando estamos claros sobre as nossas diferenças”

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